1 de mar de 2015

Sobre ser lolita ~*

Ontem eu li algo pelo face... "Ser lolita". E por alguns segundos uma reflexão veio a minha mente. Decidi escrever o que penso a respeito, o que significa para mim ser uma lolita.


Primeiramente ninguém vai para no estilo aleatoriamente. Você sentiu vontade de usar ou decidiu usar porque achou belo e se identificou. Você pode só acha bonito e não usar, mas se gostaria de usar é porque há algo dentro de você que te motiva e faz uma ligação com o estilo.

Foi assim para mim. Estava em uma fase da adolescência que se você me visse não diria que eu usaria lolita. Eu era completamente diferente, era fechada, usava preto, roxo e cinza quase todos os dias do ano. Para ser bem sincera eu realmente não conseguia me expressar. Tive que estudar muito para descobrir o que se passava comigo na época. Hoje eu diria que eu era uma perfeita INTJ hahaha

Isso tudo porque eu vivia em um casulo, que sei muito bem que não sou a única que passou por isso, que foi moldado pela sociedade e mesmo por pessoas que eu amo. Mas eu não sou tão comum assim. Eu tenho plena consciência do quão diferente eu sou do "padrão normal". Assim fui me fechando e como eu gosto de dizer: bloqueando meu Fe (tem haver como MBTI, um dia desses eu posso falar um pouco no blog se vocês se interessarem ou me vier a telha mesmo).

Eu não me permitia ser quem eu era e cada pessoa que passa por essas situações reagem de formas diferentes. Por sorte existiam as folhas em branco para mim. Os desenhos eram o meu mundo. Lá eu podia ser quem eu era. Minha fonte de expressão externa.

Como isso chegou em lolita?
Bom, eu encontrei o estilo pela internet em um dia qualquer e me identifiquei. Aquilo correspondia para mim com quem eu queria ser! Na época eu pensava que se o mundo não fosse tão quadrado eu usaria todos os dias da semana. 
Aquele imagem representava o que eu queria viver. Não era só um estilo mas uma forma de se expressar. Expressar o que há dentro de mim.

Obvio que o mundo ao meu redor não aceitou tão bem essa minha mudança radical dos preto/roxo/video-games/mangás/etc para um mundo frufru das princesas do rococó.
No começo eu pensei que usaria cores escuras tipo Alice and The Pirates. Mas eu percebi que meus sentimentos gritavam muito mais pelo sweet da Baby The Stars Shine Bright.

Foi assim que eu comecei uma jornada pelo sweet. Quem acompanha o blog desde os primórdios sabe que a jornada não durou mais do que 6 meses. O casulo foi impedido de ser aberto por causa do mundo ao meu redor. Eu fiquei realmente frustrada por não poder ser quem eu queria ser.
Na época eu tinha acabado de entrar na faculdade e saído do ensino médio. Foi uma mudança radical para mim. Precisava realmente de um espaço para amadurecer minha formação de personalidade e ser quem eu queria simplesmente.

Por que não deixam eu simplesmente usar lolita? Eu pensava. São só roupas. E não é nada obsceno ou que cause mal ao mundo. Depois a gente aprende que não é por aí.
O fora do padrão assusta as pessoas. É uma mudança muito rápida para quem vive ao seu redor e se você respeita muito elas, às vezes até mais do que você. Você não irá magoá-las, certo?

Foi assim que larguei lolita por 6 meses quando mal tinha começado. Mas eu não conseguia largar. Eu queria simplesmente usar saia e gritar quem eu era e não o que esperavam o que eu fosse.
Não foi nada fácil. Foi um processo que demorou anos. E até hoje rolam umas vírgulas. 

Hoje já no meu quinto ano de lolita, porque mesmo quando parei de usar eu não deixei de SER uma. Eu consigo ver que para mim o estilo não retratava só uma moda japonesa, mas era um parte de mim. Lógico que você pode usar só o estilo e não sentir que é uma parte de você. Mas também não dá pra você ser uma lolita sem usar as roupas! É uma união das duas partes. Aquele momento que quando você vai vender o vestido você não quer que ele vá embora. Não de uma forma materialista mas do peso que as representações visuais podem significar o que é ser.

Depois que amadureci de verdade eu percebi que talvez eu não esteja abraçando mais tanto lolita assim. Porque quem salvou minha pele nos gritos do desespero de usar algo que me representava foi otome. E percebi que só não deixo lolita porque agora é uma parte do mundo em que vivo com amigas que fiz que tenho muito carinho. Acabo deixando meu dia-a-dia para o otome. Lolita é uma parte de onde vivo que muito importante deixar isso claro eu não deixo de ser quem sou.

É um engano que muita gente comete. Em lolita a gente não pode fingir quem é, mas simplesmente ser quem somos. Porque o visual se liga com algo está lá no fundinho do âmago do nosso ser.
Para mim lolita foi a primeira libertação de ser quem sou. Eu não mudei para o estilo, ele só me proporcionou a ser quem eu era.

Faz alguns anos que eu queria explicar tudo isso no blog. Principalmente essa última frase do parágrafo anterior. Mas precisei realmente amadurecer e conseguir enxergar além do sentimentos abstratos que eu tinha.

Por isso eu concluo que é tão difícil ser lolita. E caso você queira ser uma você pode refletir: existe aquelas que usam porque simplesmente gostam e aquelas que além de gostar faz parte de quem elas são.

E não tenha medo caso você pense em entrar, desistir do estilo ou seja lá o que for. Aprenda que as pessoas mudam e não tenha medo de mudanças. Mudanças podem vir para seu bem e para melhor. Se arrisque se sua intuição, lógica, sentimentos ou sensações mandar!

Abraços quentinhos

da Hoshi ~*

8 comentários:

  1. Que texto lindo! Realmente ser lolita é incrível e creio que muitas conheceram o estilo pela internet.

    Adorei seu texto e eu sempre acho que nós não escolhemos nosso estilo, eles nos escolhem.

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  2. Eu adorei ler teu texto, mesmo.
    Tenho aquela opinião dividida entre "lolita é só roupas" (porque se você não usa a moda, como se considera lolita?) e "lolita é parte de mim". Me identifiquei com o que tu escreveu.
    Tento fazer cada vez mais com que as minhas roupas me representem, dentro e fora de lolita, e acho que isso é meio que essencial pra não se "fechar" pro mundo, criando uma parede entre os outros e nós. Não sei se isso não pareceu muito esquisito escrito assim, mas como as roupas passam uma impressão a nosso respeito mesmo antes de a gente falar, acabo pensando que se a gente se veste de forma a esconder quem a gente é, estamos reforçando essa parede/distância.
    Acho que me perdi nas palavras agora, mas só queria dizer que amei o teu texto, é isso ♥

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    1. Muito obrigada. :D
      A cada dia que passa eu tento completar meu guarda-roupa para que seja algo que realmente me represente no total.
      É engraçado porque não necessariamente vestir uma roupa fofa signifique que você age daquela forma "fofa, menininha e gentil" que todos imaginariam. Uma colega da faculdade uma vez me descreveu como uma bonequinha com um humor de um velhinho de 80 anos hahaha (embora isso seja relativo mas acho que deu pra entender)
      Fico contente que você tenha se identificado tanto :)

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  3. Belo texto. Acho que pra quem já foi lolita sempre irá ficar um pedacinho marcado. Pq ir pra lolita realmente, tem que ter um diferencial. Pelo que vejo algumas ex-lolis, continuam com uma atmosfera delicada, feminina... Gostam de rendas, laços... E otome-kei se encaixa bem nisso. O importante é se sentir bem, né? :3

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    1. Com certeza o importante é se sentir bem. Mas a maioria acaba ficando com uns traços lolificados ainda no dia-a-dia mesmo pelo que vejo :)

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  4. "É um engano que muita gente comete. Em lolita a gente não pode fingir quem é, mas simplesmente ser quem somos. Porque o visual se liga com algo está lá no fundinho do âmago do nosso ser." Quase chorei ! É exatamente o que eu penso...Não dá pra "fingir" ser alguma coisa...quem vai por esse caminho não resiste às primeiras críticas, simplesmente pq não tem orgulho de lolita ! Você precisa ter orgulho *-* orgulho de ser quem vc é ! Parabéns pelo post !

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    1. Muito obrigada, Rose. Fico muito feliz que você tenha adorado o post :)

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